A luta que hoje trazemos à rua, em Lisboa, no dia 28 de Março, é a expressão viva da determinação de uma geração que recusa ser o elo mais fraco de um sistema que a explora, a precariza e a silencia. Esta manifestação realiza-se num quadro marcado pelas enormes dificuldades que a juventude trabalhadora enfrenta para aceder a uma vida digna: salários de miséria, contratos precários, estágios sem direitos, falsos recibos verdes e um custo de vida que, mês após mês, consome quase a totalidade do que se ganha e em alguns casos obriga a escolher o que se paga. A estes problemas juntam-se o brutal aumento da habitação, que impede qualquer projeto de autonomia, e a deliberada degradação dos serviços públicos, que empurra os jovens para a exclusão no acesso à saúde, à educação e à habitação.

O patronato, aproveitando a ofensiva aos salários e direitos lançada com o Pacote Laboral, aprofunda a precariedade como modelo de contratação, intimida e reprime nos locais de trabalho, recusa a negociação coletiva e trava qualquer tentativa de valorização salarial significativa, mantendo os jovens trabalhadores numa permanente situação de vulnerabilidade e dependência.

O governo do PSD/CDS-PP, apoiado pelo CH e IL, insiste em tentar impor o Pacote Laboral, numa clara opção política ao serviço dos grandes grupos económicos e do grande patronato. Com este pacote, pretendem agravar uma legislação laboral que já hoje castiga quem trabalha: querem facilitar os despedimentos sem justa causa, eternizar a precariedade, desregular ainda mais os horários de trabalho até ao limite da exaustão, atacar os direitos de parentalidade e destruir a contratação coletiva, que é a principal ferramenta de defesa dos trabalhadores, limitar a liberdade sindical e o direito de greve. Tudo isto para facilitar o aumento da exploração e fragilizar ainda mais a juventude trabalhadora.

No entanto, a resposta dos trabalhadores, e em especial da juventude trabalhadora organizada, tem sido inequívoca. A Greve Geral de 11 de Dezembro e a entrega de mais de 190 mil assinaturas ao Primeiro-Ministro, foram demonstrações cabais de que o Pacote Laboral já foi recusado. A juventude trabalhadora não se resigna: rejeita o pacote, exige a sua retirada imediata e afirma-se determinada a continuar esta luta.

Os jovens trabalhadores exigem um outro rumo. Um rumo onde sejamos valorizados com salários dignos que permitam viver, não apenas sobreviver. Um rumo que acabe com a precariedade e garanta direitos efetivos desde o primeiro dia de trabalho. Um rumo que defenda e reforce os serviços públicos – o Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, a Segurança Social Pública, Universal e Solidária – e que garanta o direito à habitação como condição essencial para uma vida digna. Exigimos que os direitos consagrados na Constituição sejam finalmente aplicados na íntegra.

É isto que se impõe!

Retirem o Pacote Laboral e revoguem as normas gravosas que já hoje existem na legislação laboral e que tanto prejudicam a juventude trabalhadora!

Daqui, da Manifestação Nacional de Jovens Trabalhadores, assumimos o compromisso de intensificar a luta reivindicativa e a mobilização pela rejeição do Pacote Laboral, derrotado nas ruas e nos locais de trabalho, mas que continua a ser uma ameaça real. Reafirmamos a luta por mais salário, mais direitos, contra o aumento do custo de vida e em defesa dos serviços públicos e das funções sociais do Estado.

Daqui afirmamos a determinação em recorrer a todas as formas de luta que a situação imponha, com vista à derrota definitiva do Pacote Laboral, à defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores e à conquista de condições de trabalho e de vida dignas para a juventude.

Daqui apelamos a todos os jovens trabalhadores para que se mantenham firmes neste combate, e a todas as estruturas sindicais, associações e organizações de juventude para que mantenham a unidade, o envolvimento e a convergência na luta pela retirada do Pacote Laboral e pelo fim da precariedade, afirmando desde já o nosso compromisso na mobilização para a grande Manifestação Nacional marcada pela CGTP-IN para dia 17 de Abril em Lisboa.

A força imensa demonstrada pela juventude trabalhadora nas ruas de Lisboa, e em todo o país, serve de aviso a todos aqueles que pensam que a nossa voz não conta. Será esta força imensa que dará expressão e continuidade a qualquer luta que seja necessária desenvolver, com confiança, determinação e de olhos postos num futuro de progresso, trabalho e emancipação.

Viva a Luta dos Jovens Trabalhadores!

Viva a Interjovem!

Viva a CGTP-Intersindical Nacional!

28.03.2026