A Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens – CIMH/CGTP-IN assinala o Dia Internacional pela Saúde da Mulher (28 de Maio), instituído em 1987 para sensibilizar a sociedade sobre direitos sexuais e reprodutivos, além da prevenção de doenças como cancro da mama, colo do útero e doenças crónicas. 

É um lembrete anual para que os governos garantam que as mulheres tenham acesso pleno e seguro aos cuidados de saúde necessários. Muito oportuno para o nosso país e para a política de saúde desastrosa que está a ser seguida pelo governo, em particular em relação à gravidez, às urgências e ao ataque global e deliberado ao Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O SNS não é apenas uma estrutura administrativa. É o lugar onde a maternidade tem de ser protegida, onde a doença encontra cuidado, onde se recusa transformar a saúde em negócio. É um direito essencial consagrado na Constituição da República Portuguesa.
Fechar uma maternidade não é desligar uma luz — é apagar um começo.
Encerrar uma urgência não é reorganizar recursos — é transformar quilómetros em perigo,
espera em angústia, distância em risco.
E quem carrega esse peso? As mulheres. Sempre as mulheres.
As que atravessam distritos em dor. As que contam minutos entre contracções. As que enfrentam a incerteza quando deviam encontrar cuidado.

Chamam-lhe reorganização, racionalização, inevitabilidade.
Nós chamamos-lhe pelo nome: desmantelamento.

A saúde das mulheres não cabe em cortes, mapas ou desculpas técnicas. Cabe em cuidados próximos, em equipas completas, em portas abertas quando a vida chama.
A saúde das mulheres exige proximidade. 
Não aceitamos um país onde nascer depende do código postal.
Porque um país que falha às mulheres e às crianças falha ao seu futuro.

Apesar da maior esperança de vida, as mulheres em Portugal enfrentam uma maior carga de doenças crónicas.
Defender a saúde das mulheres é defender o Serviço Nacional de Saúde.
Com tudo o que ele deve ser: público, universal, acessível, humano.

Exigimos investimento público e profissionais valorizados.
Exigimos respeito por quem cuida e por quem precisa de ser cuidada.
Exigimos serviços públicos à altura de quem neles confia para viver. 

DIF/CGTP-IN
Lisboa, 25.05.2026