De acordo com o INE, 1 milhão e 660 mil residentes em Portugal estavam em situação de pobreza no final de 2024, um número elevadíssimo, principalmente porque já tem em conta as pensões e outras transferências sociais.

Mesmo após todas as transferências sociais, a pobreza atinge 42,6% dos desempregados, 35,1% das famílias monoparentais com pelo menos uma criança, 17,8% dos idosos, 16,3% das mulheres e 8,6% dos trabalhadores.

Retirados estas transferências, provenientes sobretudo do sistema de segurança social, o que se verificou foi um agravamento da pobreza, passando de 40,3% em 2023 para 40,7% em 2024 e atingindo 4 milhões e 375 mil pessoas, um aumento de 87 milhares em apenas um ano.

Estes dados mostram a importância da segurança social pública, universal e solidária. Sem ela quase metade da população residente em Portugal seria pobre, o mesmo acontecendo com 86,4% dos reformados e 65,6% dos desempregados.

Os dados mostram também que não basta ter um emprego para não se ser pobre no nosso país. Na ausência das transferências sociais 17,4% dos trabalhadores estariam nessa situação, percentagem que não se reduziu em 2024 e que corresponde a 900 mil trabalhadores.

São também visíveis as diferenças existentes entre quem alcança níveis de escolaridade mais elevados e os que dele são ou foram privados: 21,3% dos que detêm no máximo o ensino básico são pobres, o que compara com 12,6% entre os que completaram o ensino secundário e pós-secundário e 5,4% entre os que conseguiram completar o ensino superior.

As dificuldades de quem vive e trabalha no nosso país espelham-se também na incapacidade que 33% da população tem em pagar uma semana de férias por ano fora de casa, no facto de 29% não conseguir pagar de imediato uma despesa inesperada de algumas centenas de euros, ou de cerca de 9% não conseguir participar regularmente em actividades de lazer, isto para referir apenas alguns dos itens de privação material e social apurados pelo INE.

A contabilização oficial da pobreza em Portugal não tem em consideração o aumento do custo de vida, de onde se destacam os elevadíssimos e crescentes encargos com a habitação (quer no que diz respeito às rendas, quer em relação às prestações por crédito), que estão longe de ser acompanhados por equivalentes subidas de salários ou das pensões. 

É assim bem visível que os baixos salários (que se traduzem nas baixas pensões actuais e futuras) e o desemprego (que tem como principal motivo a precariedade dos vínculos laborais) são os dois grandes determinantes da pobreza, o que é agravado pelo aumento do custo de vida e pela falta de habitação condigna e acessível a quem trabalha ou já trabalhou. 

É necessário defender a segurança social pública de ataques que se perspectivam quer a nível nacional, quer a nível europeu, com o chamado pacote relativo às pensões complementares de reforma, apresentado pela ex-ministra de Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque, no contexto da União da Poupança e dos Investimentos, que mais não visa do que o enfraquecimento do sistema de segurança social previdencial em favor de fundos de pensões e outros esquemas privados que, não só poriam em risco as pensões futuras, como se prevê que sejam postos ao serviço do grande capital, da especulação e da guerra.

É assim urgente intensificar a Luta pela retirada do pacote laboral na sua totalidade, pelo aumento dos salários, das pensões e de todas as prestações sociais e pela defesa do sistema de segurança social público, universal e solidário.

DIF/CGTP-IN
Lisboa, 21.01.2026