O SINTAB, Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal, lamenta a sentença de insolvência do Matadouro Industrial do Cachão, em Frechas, concelho de Mirandela.
Esta decisão representa o culminar de um longo processo de má gestão, marcado por opções de endividamento cuja finalidade nunca se traduziu na melhoria das condições de trabalho, nem no reforço da capacidade produtiva da unidade. Trata-se de um caminho que foi sendo sucessivamente avalizado pelas autarquias de Mirandela e Vila Flor, entidades que detêm a quase totalidade do capital desta infraestrutura.
O aspeto mais grave desta decisão reside, obviamente, no impacto direto sobre os trabalhadores. Estamos perante a destruição de mais de 20 postos de trabalho, numa região já profundamente marcada por baixos índices de empregabilidade, uma realidade que empurra estes trabalhadores e as suas famílias para uma situação de incerteza, sofrimento e carência económica, agravando ainda mais as dificuldades sociais existentes.
Importa igualmente denunciar que os trabalhadores apenas tiveram conhecimento da situação após a afixação do edital do tribunal, revelando um total desrespeito por quem, diariamente, assegura o funcionamento desta unidade e contribui para a economia regional.
Mas esta decisão é ainda mais grave, quando ignora completamente a realidade e as necessidades da região do nordeste transmontano. Não existe, neste momento, qualquer infraestrutura com capacidade equivalente de abate em funcionamento: o matadouro de Bragança encontra-se encerrado para obras, prevendo-se que assim permaneça durante todo o verão; o de Mogadouro continua em construção, com sucessivos atrasos que apontam a sua conclusão para uma data nunca antes de outubro; e o de Miranda do Douro está igualmente em obras, por falta de condições, estando mesmo prevista a sua relocalização.
Assim, estamos perante uma decisão que pode ser compreendida apenas numa lógica estritamente contabilística, mas que falha redondamente ao nível da resposta às necessidades da região. Prova disso é que o próprio complexo continua a laborar em pleno, mesmo após a declaração de insolvência, evidenciando a sua importância vital.
O SINTAB defende que o verdadeiro interesse dos trabalhadores, da população e da economia transmontana passa pela criação das condições e pela disponibilização dos recursos necessários para assegurar a continuidade desta unidade. A produção pecuária, em particular a bovinicultura, constitui um dos principais pilares de subsistência da região, e não pode ser abandonada.
O eventual encerramento do Matadouro Industrial do Cachão representará uma machadada absurda num dos principais pilares da economia agroindustrial de Trás-os-Montes, agravando as dificuldades já existentes, pela perda de infraestruturas essenciais e de capacidade produtiva.
O SINTAB reafirma que tudo fará para defender os interesses dos trabalhadores e lutar pela manutenção desta unidade, elemento fundamental para a sobrevivência económica e social da região.
Fonte: SINTAB
