Camaradas;
Que grande manifestação, que grande momento de luta que os jovens, de norte a sul do país trouxeram hoje às ruas de Lisboa.
Hoje estão aqui aqueles que são o presente e vão ser o futuro do país, a juventude. Com força, com determinação, com confiança numa vida melhor, acreditando em si mesmos.
Atravessamos momentos desafiadores e complexos no mundo. E eu tenho a certeza da parte da juventude também há a vontade de lutar por um mundo mais justo, fraterno e solidário. E essa solidariedade connosco não tem fronteiras. É uma solidariedade que se espalha pelo mundo, na procura da paz, da amizade, da cooperação. Uma solidariedade séria, sem benefícios, a não ser o desejo que cada povo seja livre de decidir o seu futuro sem qualquer condicionalismo.
E por isso camaradas, deixar aqui uma mensagem, de amizade e confiança, de acreditar que um mundo melhor é possível para com o povo cubano, para com o povo Venezuelano, para com o povo palestiniano e os povos de Médio Oriente, para com os povos de todo o mundo, que hoje são vítimas da agressão, da guerra, da violência.
Se olharmos para todos e quaisquer conflitos que surgem pelo mundo fora, um nome em comum está ligado a todos eles. Os EUA, e os que a ele se aliam, que deverão ser responsabilizados pelo terror constante que espalham e alimentam.
Vemos uma UE incapaz, submissa. Tentando a todo custo justificar sempre todo mal que os EUA espalham pelo mundo, uma UE que vocifera perante os mais fracos, mas que se cala perante um dos maiores genocídios da nossa história e que hoje nos atinge diariamente, como o que está a acontecer com o massacre em curso de Israel sobre o povo palestiniano com o apoio dos EUA ou como o povo cubano alvo de um embargo há mais de sessenta anos e que hoje se transforma em cerco, criando enormes dificuldades.
Camaradas,
Isto é o imperialismo, a exploração, o saque dos recursos, o domínio sobre os outros, o propósito da subjugação dos povos. Ser independente e soberano é responder perante alguém e esse alguém é o povo. Não é nem devia ser o capital.
E é inadmissível a posição do Governo PSD/CDS acompanhado do Chega e Iniciativa Liberal, a apoiar as agressões dos EUA e a envolver o território de Portugal nessa agressão.
Falta coragem. Mas falta coragem para isto camaradas, como tem faltado coragem para muito mais.
Se olharmos para a realidade nacional é tão fácil perceber isso.
O Primeiro-Ministro disse há umas semanas atrás que é preciso ter coragem. Referia-se ao pacote laboral. Coragem para mudar disse ele. Coragem Sr. Primeiro-Ministro era o governo enfrentar os mais poderosos, isso sim era coragem! Coragem era o Governo ter uma política diferente à que tem governado todos estes anos e que constantemente coloca os trabalhadores sempre como um bem descartável, como um número, uma peça de ferramenta.
Coragem era afrontar os lucros dos grupos económicos que existem e se atingem à custa da exploração de quem trabalha. O que nós vemos não é coragem, é submissão.
Coragem é defender os serviços públicos, o serviço nacional de saúde, a escola pública, as forças de segurança, os tribunais e a justiça, a cultura, a segurança social.
Coragem é combater aqueles que querem fazer da saúde lucro, da escola um negócio, da segurança social uma fonte de rendimento.
Vemos um país cada vez mais de pernas para o ar, onde os mais ricos cada vez têm mais e mais dinheiro, mais e mais lucro, menos e menos impostos sobre eles.
Mal é de um povo, de um país em que o seu governo vê a saúde, a educação, a estabilidade do seu povo como uma despesa, ao mesmo tempo que o privado vê tudo o mesmo como a hipótese de conseguir ainda mais lucro.
Aqui estão enfermeiros, médicos, auxiliares, aqui estão professores, técnicos, assistentes operacionais, aqui estão operários, pescadores, homens e mulheres do trabalho. Camaradas e amigos, aqui estão os trabalhadores. Aqui estão estudantes que sonham e ambicionam um mundo melhor.
Mas o que está a ser feito é a negar a todos eles, a todos nós isso mesmo, essa aspiração.
Costuma-se dizer, diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és! E nós só vemos o governo a andar de mão dada com os patrões.
Isso não é coragem …. Chamam-se a isso interesses. E esses interesses não são os nossos, não são os dos jovens, não são os da maioria.
Camaradas,
Há uma coisa que é central e que define tudo, que é o trabalho. É no trabalho que tudo se concretiza. É o trabalho que tudo cria. O problema é que no capitalismo o trabalho deixa de ser algo livre e passa a ser explorado, tirando ao trabalhador aquilo que é fruto do seu trabalho. No capitalismo quem produz não é dono do que produziu. Essa é que é essa. É o capital que se apropria do que cada um de nós produz para depois obter o lucro.
E é esta transformação que é necessária procurar. Uma justa distribuição da riqueza produzida.
Ora, se o trabalho é a centralidade de tudo, isso quer dizer que o trabalhador é a parte central e fundamental em todo este processo. Mas também quer dizer que o capital tem consciência disso e então tenta, por todos os meios, apoderar-se cada vez mais dos mecanismos necessários para ter o trabalhador disponível para o trabalho mais tempo e submisso. E cá estão as razões para a apresentação deste pacote laboral apresentado por este governo e pelos patrões, não temos dúvida disso.
Aumentar e generalizar a precariedade, alargando os prazos dos contratos a termo certo e incerto;
Facilitar o outsourcing, a externalização de serviços após despedimento colectivo;
Procurar legalizar os despedimentos sem justa causa;
Alargar os horários de trabalho, com a introdução do banco de horas individual que mais não é que trabalhar mais horas sem receber;
Atacar o direito de greve e a contratação colectiva, a capacidade dos trabalhadores discutirem a melhoria dos seus direitos;
Limitar os direitos sindicais, nomeadamente os direitos da acção dos dos
sindicatos nos locais de trabalho;
Tudo isto camaradas confirma o que se disse atrás, não interessa a ninguém, não interessa aos trabalhadores. Mas interessa aos grandes patrões.
Há uma coisa que todos temos que ter noção. Quem tudo decidirá serão os trabalhadores. O passado isso demonstra. Não lhes vamos dar descanso camaradas. Os trabalhadores já se pronunciaram e os trabalhadores rejeitam este pacote laboral que é inimigo dos jovens, é inimigo dos trabalhadores, é inimigo do país.
Temos feito muito, hoje os jovens do nosso país estão na rua e no próximo dia 17 Abril, mais uma vez, vamos fazer-nos ouvir. Com muito força, garra e determinação, assumimos a luta como factor fundamental para responder aos nossos objectivos.
Estamos perante um brutal aumento do custo de vida, aumentam os preços dos combustíveis, da habitação, mais 17% este ano, dos bens de primeira necessidade, dos bens alimentares e da parte deste governo é um zero…..nada, nada de resposta a não ser permitir que tudo isto esteja a acontecer e vá ainda piorar.
por isso camaradas, vamos à luta,
por melhores salários
contra a precariedade
pelas 35h
em defesa da contratação colectiva
em defesa da liberdade sindical
em defesa do direito de greve
em defesa dos nossos direitos
pela conquista de mais e melhores direitos, por um mundo mais justo e soberano!
Não estamos sós! Nunca estamos sós! Somos uma força imensa! Façamos do próximo dia 17 Abril, do 25 de Abril e do 1º Maio, grandes jornadas de luta camaradas!
Viva a Interjovem
Viva a CGTP
Vivam os jovens trabalhadores
DIF/CGTP-IN
28.03.2026