O sindicato CENA-STE, em representação dos trabalhadores da Fundação Casa da Música e após um plenário conjunto com a Comissão de Trabalhadores, lançou um pré-aviso de greve para a semana de 11 a 16 de Maio. O pré-aviso abrange todos os trabalhadores da Fundação Casa da Música à excepção dos músicos da Orquestra Sinfónica.
A Fundação Casa da Música encontra-se num estado caótico a vários níveis: a saída de talentos é constante, as equipas são desconsideradas, a missão cultural ressente-se. Tem sido administrada com falta de noções de gestão cultural, autoritarismo e um desrespeito profundo pelos trabalhadores.
A imposição unilateral de um modelo de carreiras absurdo, discriminatório e mal desenhado, com critérios opacos, foi feita com o anúncio de grandes aumentos, mas verificou-se que vários trabalhadores tiveram aumento zero em relação a 2025, e outros pouco mais de zero. Trouxe um grande número de despromoções para categorias inferiores, sem qualquer explicação nem aviso prévio, de modo a travar as respectivas evoluções salariais. Colocou nos níveis iniciais de carreira trabalhadores com 20 e mais anos de profissão, com o aviso de que só poderão passar a níveis seguintes mediante avaliações de desempenho futuras - apagando assim toda a carreira e experiência profissional passada. Pretende fixar as diferenças salariais chocantes que têm manchado a Fundação Casa da Música, sendo possível que alguns trabalhadores entrem nos quadros a ganhar 10% do salário do administrador-delegado e 20% dos cargos de direcção. E comprime 80% dos trabalhadores na metade menos vantajosa da tabela salarial.
Com este pré-aviso de greve, os trabalhadores exigem:
1. A revisão urgente do modelo de carreiras instituído unilateralmente pelo Conselho de Administração da Fundação Casa da Música. Esta revisão deve ser realizada em negociação que resulte num acordo com as estruturas representativas dos trabalhadores (Comissão de Trabalhadores e representantes sindicais), visando os seguintes pontos:
a. Anular os reposicionamentos de trabalhadores em categorias profissionais recém-criadas e que correspondam a despromoções ou posicionamento em carreiras mais desfavoráveis.
b. Estabelecimento de critérios claros e objetivos para as classificações/designações de categorias profissionais, a sua integração em cada nível de carreira e a progressão salarial.
c. Enquadramento na carreira com base no reconhecimento e valorização da experiência acumulada no percurso profissional dos trabalhadores, segundo critérios claros e objetivos.
d. Na ausência de uma actualização salarial universal para o ano de 2026, o posicionamento na carreira deve obrigatoriamente resultar num aumento mínimo de 75 € para todos os trabalhadores relativamente aos salários auferidos em 2025.
e. Diminuição substancial das diferenças entre os salários de base e os salários de topo.
2. Defesa do projecto da Fundação Casa da Música perante a deterioração a que tem estado sujeito em resultado da desvalorização dos seus recursos humanos e dos problemas e insuficiências potencialmente gerados pela forma como foi instituído o modelo de carreiras em causa.
Fonte: CENA-STE
